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A culpa materna e a idealização da maternidade "real"

Atualizado: 29 de out.

Mulher multitarefa com bebê no colo também querendo atenção.

Nos últimos anos, temos visto crescer nas redes sociais um movimento que se propõe a mostrar a tal “maternidade real”. A ideia, em tese, é positiva: sair da idealização da mãe perfeita, mostrar os desafios do dia a dia, falar de cansaço, de frustração, de dúvidas. No entanto, mesmo essa "maternidade real" pode acabar se tornando, para muitas mulheres, mais uma fonte de culpa.


Por quê?


Porque o que é real para uma mãe, pode ser inalcançável para outra.

A realidade de cada mulher é atravessada por inúmeras variáveis: a presença (ou ausência) de uma rede de apoio, a situação financeira, a carga de trabalho, o tempo disponível, o estado emocional, o histórico familiar, e por aí vai. A maternidade não acontece num vácuo — ela acontece dentro de um contexto. E cada contexto é único!


O problema surge quando se transforma uma vivência subjetiva e muito particular em um novo padrão a ser seguido. Mesmo quando uma mãe se identifica com os desafios mostrados, ela pode se questionar por que não sente as mesmas coisas, ou por que não reage da mesma forma. Em outros casos, ela pode estar vivendo sua maternidade com mais leveza, e ainda assim se sentir culpada por não passar por tantos perrengues — como se amar fosse sinônimo de sofrer.

A culpa, nesse cenário, não é só por fazer diferente. Às vezes, é por não querer viver certas situações. Por exemplo: uma mãe pode ver outra contando sobre noites e noites sem dormir, e pensar: "Se isso acontecesse comigo, eu não daria conta". E esse pensamento pode se transformar numa angústia profunda — será que eu amaria menos meu/minha filho(a)? Será que não sou suficientemente boa?

Além disso, há cobranças muito concretas do dia a dia: alimentação saudável, tempo de qualidade, limitação de telas (entre inúmeras outras coisas). São orientações importantes, claro, mas que muitas vezes desconsideram o que essa mãe tem à disposição. Para oferecer o "ideal", ela teria que trabalhar ainda mais — e isso pode significar estar ainda mais ausente da vida da criança.


E como pensar tudo isso à luz da psicanálise?

A psicanálise nos convida a olhar para além das regras e dos manuais. Ela reconhece o inconsciente, os desejos, os limites, as marcas da própria história. Nenhuma mãe é só mãe — ela é também filha, trabalhadora, mulher. E o amor materno não se mede pelo quanto se sofre ou se sacrifica. A construção do vínculo passa muito mais pela presença possível e pelo desejo de estar com o outro, do que por fórmulas perfeitas.

Quando falamos da culpa materna, estamos falando de algo muito mais profundo do que “errar ou acertar”. É uma culpa estrutural! Ela vem da sensação de jamais ser suficiente e se intensifica pela desigualdade nas responsabilidades parentais.

A verdade é que, em muitas famílias, mesmo com guarda compartilhada, o peso do cuidado cotidiano continua recaindo quase exclusivamente sobre as mães. Enquanto isso, os pais, muitas vezes, são aplaudidos por fazer o mínimo, enquanto as mães fazem o máximo em silêncio — e ainda se cobram por não fazerem mais.


Por isso, é tão importante repensar o que chamamos de “maternidade real”. A verdadeira maternidade real talvez seja justamente reconhecer os limites, aceitar as falhas, dividir responsabilidades, e entender que cada mulher fará o melhor possível com os recursos que tem. E que isso é o suficiente!!!

Se você é mãe e vive esse turbilhão de emoções, saiba: sua forma de maternar é válida! Não existe uma única maneira certa. Existe o que é possível — e isso pode ser, sim, profundamente amoroso.


Esse texto fez sentido para você?

Compartilhe com alguém que esteja passando por isso ou possa se interessar — outras mães podem se sentir acolhidas ao saber que não estão sozinhas.


E, se você sente que precisa de um espaço seguro para falar sobre suas dores, culpas e desafios da maternidade, entre em contato. Será um prazer te acolher com escuta, cuidado e sem julgamentos!



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