Entre o relacionamento que se vive e o que se idealiza
- Guilherme Romaguera
- 12 de ago.
- 2 min de leitura
Atualizado: 29 de out.
Relacionar-se nunca foi simples.
E, talvez, hoje, com tantas possibilidades e informações, seja ainda mais desafiador.
Durante muito tempo, fomos ensinados que existe um único tipo “correto” de relacionamento: heterossexual, monogâmico, duradouro, com casamento, filhos, casa própria e finais felizes — no "melhor" estilo propaganda de margarina dos anos 90 e 2000.
Porém, a vida real não funciona assim!

Há algum tempo, começamos (finalmente!) a reconhecer que existem muitas formas de amar, de viver junto, de construir afeto. Casais heteronormativos, homoafetivos, relações abertas, longas ou breves, com ou sem filhos, com ou sem casamento, com acordos próprios, que fogem do script, entre tantas outras possibilidades...
E todas são válidas quando há respeito, cuidado e desejo mútuo.
Cada pessoa tem sua própria história, seus desejos, suas feridas e seus limites. E cada casal, seja qual for sua forma, constrói uma dinâmica única, atravessada por cultura, época, gênero, geração, classe social, e até mesmo pelas referências (ou ausências) de amor que cada um teve na infância.
A forma como nos relacionamos mudou — e segue mudando.
O que nossos pais esperavam de uma relação, muitas vezes não faz sentido para nós. E o que nos disseram que seria amor, talvez hoje a gente consiga reconhecer como controle, dependência ou idealização.
E por falar em idealização…

Redes sociais, filmes e séries continuam vendendo versões romantizadas do amor. Casais perfeitos, conexões instantâneas, finais felizes sem conflito. Mas o que não aparece ali são as conversas difíceis, os dias em que se está distante, os limites de cada um, as inseguranças e os desafios do dia a dia.
Na clínica, escuto muitas pessoas sofrendo não por aquilo que vivem, mas por aquilo que acham que deveriam estar vivendo.
Como se amar só valesse a pena se fosse como nos filmes.
Como se toda relação tivesse que ser intensa, linda e leve o tempo todo.
Como se desentendimentos fossem sinônimo de fracasso.
Como se o amor tivesse prazo de validade.
Mas o amor — o real, não o de propaganda — é construído. E, muitas vezes, é na escuta, na frustração e na reconstrução que ele se fortalece.
A psicanálise nos ajuda a entender como nossas vivências passadas influenciam nossas escolhas afetivas, nossos padrões de relação, nossos medos e expectativas. E nos convida a olhar para os vínculos com mais profundidade e verdade — saindo do idealizado e entrando no possível.
Você não precisa se encaixar em nenhum molde,
só precisa encontrar o que faz sentido para você!
Se você sente que seus relacionamentos têm sido difíceis, repetitivos, frustrantes ou confusos, pode ser um bom momento para olhar para isso com mais cuidado.
💬 A terapia pode te ajudar a compreender o que se repete, o que te fere e o que você deseja de verdade em uma relação.


